Os Exploradores dos Oceanos


No mar do Norte, em meio às constantes tempestades, houve um novo assentamento pegasiano.

 O regente de Pégasus, também é conhecido como o Poderoso Adan, escolheu os fiordes da Noruega para semear seus filhos e desenvolver uma raça de titãs.
Até então , a Hierarquia de Pégasus tinha vindo ao planeta junto a outras Hierarquias de Deuses Criadores. Agora, para expandir as fronteiras da civilização, suas essências tiveram a permissão de se acoplar aos filhos já nascidos, que atrelados ao planeta cumpriram o seu Carma.

Reis em seu mundo, os orgulhosos pegasianos vinham testar na Terceira Dimensão a vida em condições de igualdade com os outros seres.

No plano terrestre, eles formaram clãs, que retrataram a forma de conduta em seu mundo.

Viajantes estelares, passaram a seus filhos humanos o gosto de olhar para o céu e, por meio da intuição, ensinaram-lhe a ler os complexos mapas das estrelas, que conferiram ao homem o domínio da navegação.

Em suas primeiras tentativas de explorar os oceanos, os destemidos e corajosos vikings atravessaram também as fronteiras de sua época.

Foram respeitados por sua força e chamados de bárbaros.

Sob a proteção do deus Thor, chegaram a continentes ainda inexplorados pela jovem sociedade europeia e espalharam sua ração pelo planeta.

Seus capacetes ganharam asas, e suas mentes aprenderam a voar.

Desbravar o mar e conhecer terras novas eram o desejo desses homens, que se pudessem ganhariam as águas do céu em suas embarcações.

Eu sou Nadine. Vivi no Mediterrâneo observando as ondas que iam e vinham em uma dança constante e pacífica.

As águas claras das praias sempre exerceram enorme fascínio em mim. Costumava caminhar longas horas recolhendo conchas e comungando com a natureza, nas encostas das montanhas gregas.

O Sol quente convidava a entregar-me às águas frias do mar. Com meu corpo nu, mergulhava ao encontro de mim mesma.

Filha de humildes pescadores, cresci em uma pequena aldeia à beira-mar.

Como tinha mente muito aberta, percebia a vida e as pessoas de uma forma estranha, diferente da maneira que os outros costumavam ver.

Desde pequena, minhas visões assustaram a família, por isso cresci à parte do mundo deles.

Minha única alegria era o mar.

Meus pais, preocupados com o meu futuro, tão logo puderam, mandaram-me estudar e trabalhar em um templo. Receberia instrução e abrigo, e eles se veriam livres da incumbência de me educar.

Comecei como aprendiz das leis básicas em um templo de estudos dedicado a Ptolomeu.

Varrer o chão e estudar as noções da física libertavam-me das antigas limitações que o mundo de meus pais havia me imposto até então.

Os novos ensinamentos equilibravam minha mente. Com a aplicação dos recentes conhecimentos, senti-me livre para ser o que eu era.

A antiga criança e adolescente desajustada em seu meio encontrou finalmente seu verdade lar.

A Astronomia e a Astrologia mesclavam-se em muitos pontos, enquanto o Universo planetário era desvendado sob os olhos fascinados dos estudantes.

As meninas não tinham nenhum contato com os rapazes, que habitavam outro espaço no templo. Felizmente, o conhecimento não nos era negado pelo simples fato de sermos mulheres.

O que para algumas pessoas se constituía em martírio, era um deleite para mim. Ficar estudando e morando em companhia de outras moças finalmente me tornava participante do mundo.

Meus dotes paranormais eram bem aceitos e, inclusive, apreciados pelas preceptoras, que diziam que meu cérebro trabalhava magnificamente com os dois hemisférios.

As normas de estudo eram rígidas.

As chamadas crendices, que faziam a vida de outros templos e impregnavam a sociedade de minha época, não ocupavam os nossos dias.

Tínhamos de aprender a domesticar a mente e colocá-la sob o domínio da razão. Éramos cientistas, e o saber pautava os conhecimentos.

Nos períodos de descanso, vagava pela encosta onde meus pais moravam e mergulhava nas águas límpidas do mar.

Em uma dessas viagens, levei Sephira, minha colega de quarto e companheira inseparável.

Ela também foi incompreendida pela família, mas isso não mais importava, pois não tinha mais ninguém. Seu pai morrera no último ano e sua mãe falecera quando ainda era criança.

Passamos o verão tomando banho de mar nuas, queimando nossos corpos sob o Sol escaldante do Mediterrâneo.

Em uma manhã especialmente quente, estávamos descansando na praia, quando avistamos um barco se aproximando da costa.

Apreciamos a embarcação com curiosidade. Acostumadas aos barcos de pescadores, só notamos que se tratava de uma nave muito maior quando esta se aproximou.

Tentamos nos esconder nos rochedos próximos, mas já havíamos sido vistas.

Homens muito estranhos estavam com as águas nos joelhos, enquanto gritávamos pedindo ajuda. Não fomos ouvidas, pois costumávamos escolher uma praia distante para nossos banhos.

Sephira e eu, desesperadas,  fomos capturadas por esses gigantes loiros, que falavam uma língua desconhecida e aos nossos olhos mais pareciam inescrupulosos piratas.

Senti tanto medo que perdi os sentidos; quando acordei, estava deitada  em uma grande cama de pele. Notei que bastante tempo havia se passado, pois já era noite. Procurei por Sephira e não a encontrei.

Nas horas seguintes, desabei em prantos. Meus olhos cansados e minha cabeça zonza me fizeram adormecer novamente.

Pela manhã, o vento soprava e trazia a certeza de que nos encontrávamos longe da terra firme. Foi então que meus devaneios  foram cortados pela presença de um homem muito grande me oferecendo um prato de comida.

Ele não tinha um ar malvado, mas mesmo assim não senti nenhuma fome e, em um ímpeto de raiva, joguei o prato em cima dele.

Sua simples presença me assustava. Pensava que ele já tinha me possuído à força. Justamente eu, uma sacerdotisa, que não queria me entregar a homem algum.

Fiel aos meus votos, rezava para morrer. Meu corpo, porém, não respeitava os meus desejos de morte, e, passados alguns dias, não resisti e comi alguma coisa.

Uma vez fortalecida, entendi que a esperança de fugir deveria ser descartada.

Para meu espanto, descobri que não éramos prisioneiras. Quando demonstrei a intenção de sair de meu pequeno aposento, aquele homem estranho sorriu e me acompanhou.

Encontrei Sephira entretida com os novos companheiros de aventuras.

Ela me mostrou objetos estranhos, que eles usavam para medir a distância entre as estrelas, e estava fascinada pelos conhecimentos deles.

Fui me apercebendo de que estávamos sendo tratadas com respeito e carinho por nosso raptores.

Quando o céu se fez mais escuro e os ventos frios vindos do norte chegaram, trouxeram-nos roupas apropriadas. De meu protetor, ganhei também um enorme broche com o desenho de um dragão alado.

Seus olhos muito azuis já faziam parte de minha vida, e notei que esperava ansiosa os nossos encontros.

Meus longos cabelos negros e minha pele morena de sol contrastavam com a sua pele alva e seus cabelos loiro avermelhados.

Quando percebi, já estava totalmente enamorada daquele homem.

Tentávamos nos entender por gestos. Pude compreender perfeitamente que ele sentia o mesmo, enquanto observava meu coração saindo pela boca com a sua simples aproximação.

Quando nos deitarmos juntos pela primeira vez, seu carinho tomou conta de meu corpo. Senti junto a ele a sensação de paz que encontrava nas águas do mar.

Sabia que, antes de ser membro de uma família, eu pertencia a Deus. A Ele oferecemos a nossa união, e, em meio ás águas do oceano, o nosso casamento foi celebrado por todos.

O momento da chegada à sua terra natal estava se aproximando, para meu profundo desespero, pois então o mundo dele era o meu. E dali em diante, como seria?

O navio foi penetrado em um imenso e gelado vale, conduzido pelas mãos de quem jà fizera esse caminho inúmeras vezes.

Avistei uma pequena aldeia no meio de uma campina, um enorme gongo foi tocado, e nesse momento as mulheres foram correndo ao encontro de seus esposos e filhos.

Fui apresentada ao clã como a esposa de Ludwig.

Descobri, para a minha surpresa, que já existiam na aldeia estrangeiras como eu.

Sephira e eu fomos acolhidas por eles como filhas e irmãs.

Junto das outras mulheres, tecemos as lãs e fizemos comida, amamos nossos homens e amamentamos nossas crianças.

Em nenhum momento tentamos usar nossos conhecimentos, para que não assustássemos a nossa nova família. Mas não tardou o momento de sermos descobertas como curandeiras.

Isso aconteceu quando um homem voltou gravemente ferido, e o curamos por meio das ervas. Após duas semanas, os ferimentos estavam quase cicatrizados, e toda a aldeia, que já começara a preparar os ritos fúnebres, transformou a tristeza em festa.

Meu querido Ludwig se sentia envaidecido e me cobria de carinhos,

Quando de dia de sua partida para uma nova viagem chegou , chorei tanto que adoeci. Ele já não estava ali para me socorrer, e o sentimento de abandono tão grande que não sentia nenhuma vontade comer.

Sephira, vendo o meu estado lastimável, convidou-me para andar nos bosques próximos. Caminhamos tranquilamente sob os carvalhos, observando os animais silvestres e deglutindo os últimos acontecimentos de nossas vidas.

O tempo do sacerdócio já ia longe, alguns anos tinham se passado do dia em que fomos raptadas nas praias da Grécia. Assim, vagando em meio ás arvores e imersas em nossos pensamentos, a noite chegou sem que nos déssemos conta de que estávamos longe de casa.

Para nos abrigar do frio, aproximando-nos de uma caverna coberta de limbo e plantas nativas. Ali adormecemos abraçadas, a fim de tentar manter o corpo mais quente.

Fomos despertas no meio do sono por uma intensa claridade que inundou a caverna. Um Ser enorme, cheio de luz, transportou-nos para um imenso laboratório, que se assemelhava ao centro de estudos do antigo templo.

Permanecemos observando as inúmeras poções preparadas por aquele estranho feiticeiro.

Quando em pensamento nos dirigiu a palavra, percebemos que estávamos nos comunicando em nosso idioma natal.

Ele, o Mago, disse que nos conhecia há muito tempo e que aguardava o dia de nosso encontro nessa Dimensão.

Ele nos passou diversas instruções sobre rituais e curas e disse que deveríamos as seguir à risca.

Depois de deixarmos a caverna e voltarmos à aldeia, descobrimos que o novo amigo estava em contato direto com nossas mentes.

De tempos em tempos, recolhíamo-nos na caverna do Mago e recebíamos novas instruções.

Ensinamos à nossa família viking os rituais de adoração aos quatro elementos.

Desenvolvemos entre eles a fé no espírito e a fraternidade ensinada por nosso amigo Mago.

A cada dia, meu querido Ludwig se tornava mais íntimo em meu coração, enquanto se desenvolvia entre nós a segurança do amor correspondido.

Sentia que o ato físico de amor era uma comunhão com toda a Natureza, de um poder superior, e, a despeito de seus dotes mediúnicos, não tiveram que fugir do convívio da sociedade como eu.

Os Exploradores dos Oceanos semearam em muitas terras a inteligência pegasiana que se desenvolvia entre seu povo.

A alma pegasiana, em contrapartida, aprendeu o valor da igualdade quando encarnou, que só a humildade e o amor podem estar temporariamente encarnado para desenvolver suas faculdades divinas.

fonte: Os filhos de Órion - A chegada da Hierarquia da Luz (Maria Silvia P.Orlovas)

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