Chet - Casamento




Desenho: Vav e Zayin mais uma ponte interligação

 

Guematria: Oito

 

Significado: Vida





 Desenho 

A oitava letra do alef-bet é o chet. O chet, segundo o Arizal, é uma fusão de duas letras: o vav e o zayin. No topo do vav e do zayin há um chatoteret, uma ponte que une os dois. Na essência, o vav representa o princípio masculino, o marido. zayin representa o princípio feminino, a esposa. A ponte que os une é D´us. O Maguid de Mezritch esclarece o versículo "A mulher de valor é a coroa de seu marido" da seguinte maneira: o zayin, a coroa, significa a posição da mulher de valor salvaguardando o homem.
O desenho do chet é representativo de outro tipo de ponte. Se o relacionamento entre vav (homem) e zayin (mulher) é para ser completo, eles se unem sob uma chupá, uma canópia nupcial. O formato do chet parece uma canópia nupcial. A palavra chupá até começa com um chet, pois a palavra chupá significa chet po, chet (D´us, homem e mulher) está po (aqui). Chet é o coração do casamento. Homem e Mulher são realmente unidos quando se juntam sob a chupá com o terceiro parceiro, que é D´us.
O Talmud nos diz que se o homem e a mulher (ish veisha) são meritórios, a Divina presença habitará entre eles. A palavra ish, homem, escreve-se alef, yud, shin. Isha, mulher, é escrita alef, shin, hei. Em ambas, ish e isha, encontramos as letras alef e shin. alef e shin escrevem esh, a palavra hebraica para fogo. O fogo que existem entre homem e mulher alimenta o relacionamento apaixonado, cheio de fogo. Porém se houver somente esta chama acendendo o casamento, o fogo da paixão poderia ser facilmente ser transformado num fogo de destruição. D´us deveria também estar no casamento, e felizmente Ele está: o yud de ish, o homem, quando combinado com o hei de isha, a mulher, denota o próprio Nome de D´us.
A comparação do relacionamento entre homem e mulher ao fogo ilustra o segredo de um casamento saudável. Quando duas pessoas decidem se casar, geralmente há fogo e paixão. Porém por algum motivo, dois ou três anos, o entusiasmo geralmente se foi. Para onde foi a paixão?
Quando um relacionamento começa, é como uma fogueira, e quem precisa cuidar de uma fogueira? Acredita-se que ela vai durar para sempre. Mas na verdade, a chama tem de ser alimentada. Por exemplo, um marido pode surpreender a mulher com flores para o Shabat. Uma esposa pode comprar um presente para o marido. Eles podem assistir juntos a uma aula ou estabelecer um tempo para estudar uma porção da Torá a cada semana. Eles podem fazer longas caminhadas românticas.
Além disso, um fogo não pode ser sustentado a menos que o casal trabalhe junto para atingirem uma meta em comum. Colaborar em diferentes projetos pode ajudar a conectar o marido e mulher. Por exemplo, planejar uma refeição de Shabat com muitos convidados é uma boa maneira de se conectar. O importante é lembrar que não se deve esperar que o casamento dure por si mesmo. Infelizmente, nos Estados Unidos atualmente, mais de cinquenta por cento dos casamentos terminam em divórcio. A chave para manter o fogo em um casamento é nutrir os canais de comunicação e objetivo. Os dois parceiros devem trabalhar juntos para fortalecer os chatoteret, a ponte, que une a eles e une a ambos com D´us.

Guematria

O valor numérico de chet é oito. No oitavo dia após o nascimento, um menino tem um brit. O que tem um brit a ver com o casamento? Bem, pode-se dizer que após o casamento espera-se que haja filhos, e portanto um brit. Mas na essência, o número oito representa transcendência - um nível além da natureza e do intelecto. Tudo no mundo do tempo gira em torno do número sete: os sete dias da semana, o sétimo ano sendo Sabático, a observância de um ano Hakhel a cada sete anos. O oito, no entanto representa a transcendência, um nível além da ordem natural.
Para explicar, o Midrash nos diz que houve um debate entre Yitschac e Yishmael, os dois filhos de Avraham. Yishmael disse: "Sou melhor do que você. Porque? Porque eu tive meu brit aos treze anos, Portanto fiz isso racionalmente. Pensei sobre isto, fiz minha escolha e assim quis. E ainda me lembro até hoje. Você, por outro lado, Yithschac, não se lembra de nada; jamais pôde escolher. Você não teve a oportunidade de concordar. Foi feito à força, sem o seu consentimento." Yitschac olhou para Yishmael e disse:"Não, pelo contrário. Sou eu o melhor, porque tive meu brit aos oito dias e não aos treze anos."
O que Ytschac quis dizer? A palavra brit significa "pacto", um vínculo entre dois lados. Se dois colegas se gostam e dizem:"Agora estamos nos tratando bem, somos amigos. Mas e quanto ao futuro? Vamos sentar e fazer um pacto para garantirmos que seremos amigos para sempre. Para sempre significa que embora possa haver uma má época em que, talvez logicamente, nos separemos - talvez não estejamos nos entendendo, ou um de nós está fazendo o outro sofrer - este pacto nos manterá unidos."
Este brit é o pacto que um judeu faz com D´us no oitavo dia de vida. Alguém pode dizer a D´us: "Não sou perfeito e não cumpro Sua Torá ao pé da letra. Mas Você é meu D´us. Portanto, Você me protegerá, me sustentará e cuidará de mim."Por outro lado, mesmo se D´us não nos trata da maneira que pensamos merecer ser tratados, mesmo se Ele nos permite estar na galut(exílio) mais um momento, D´us não o permita, não O rejeitaremos. Não O abandonaremos, porque temos um brit - um pacto além do intelecto - exigindo que fiquemos juntos. 
Podemos assim entender a vantagem de um brit feito no oitavo dia versus aquele feito aos treze anos. Embora a pessoa tenha livre arbítrio no último caso, sua escolha é feita num nível racional. Em contraste, um brit realizado no oitavo dia representa o vínculo de alguém com D´us que desafia todos os níveis de intelecto e a ordem natural.
Da mesma maneira, o casamento do povo judeu com D´us é também um relacionamento que transcende a lógica. É um pacto supra-racional, conectando ambas as partes para toda a eternidade.

Significado
O significado da palavra chet é chayut, que significa "vida". A vida somente pode ser considerada verdadeira quando está infundida com Divindade, porque o corpo em si é temporário, e qualquer coisa temporária não pode ser verdadeira. A verdadeira vida é imortal e eterna. A maneira de se adquirir vida eterna é conectar-se com D´us através do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvot.
Além disso, o Zohar nos diz que antes de um indivíduo casar, ele é somente "metade de uma pessoa". É apenas quando ele se une com sua bashert (alma gêmea) pelo casamento que se torna integral e completo. Como o casamento permite que alguém se conecte com D´us no sentido supremo, então unir-se com a alma gêmea é considerado a "a verdadeira vida".
Além disso, a Arizal explana sobre essa ideia de plenitude em termo das mitsvot específicas que uma mulher não é obrigada a cumprir, explicando que ele de fato recebe o mérito da mitsvá quando está e cumprida pela sua alma gêmea. Almas gêmeas são parceiras neste aspecto; antes mesmo do seu casamento.
Como certas mitsvot somente pode ser feitas dentro do contexto do casamento, este processo de mérito compartilhado não é considerado completo até que as duas metades da alma se unam sob a chupá. A participação de D´us no casamento é o chatoteret, a ponte, que leva a união à concretização e cria chayut - vitalidade eterna. 
O Talmud declara: "É tão difícil pra D´us combinar duas pessoas como foi a Abertura do Mar Vermelho."Obviamente, essa declaração faz surgir algumas questões. O que o Mar Vermelho tem a ver com o casamento? E como podemos chamar algo que D´us faz de "difícil"? D´us é onipotente, infinito. Porém dizemos que Sua realização de um casamento é tão difícil como a Abertura do Mar Vermelho! Além disso, se alguém queria falar sobre algo difícil, porque mencionar o Mar Vermelho? No grande esquema das coisas, porque não mencionar algo ainda mais intimidador - como a criação do universo?!
A resposta é o seguinte. Quando D´us criou o mundo, Ele o formou exnihilo - do nada para algo. Se um empreiteiro recebe o trabalho de construir uma casa a partir do nada, é relativamente fácil. Não há paredes de pé para atrapalhá-lo e não há limites para restringi-lo. Ele pode fazer o que quiser para criar a casa perfeita. Mas o que acontece quando um indivíduo se muda para uma que está dilapidada? E se as paredes estiverem tortas e ele tiver de endireitá-las? E se o encanamento existente está aos pedaços? É muitos mais difícil transformar aquela estrutura numa casa perfeita. Encontramos uma paralelo direto na Abertura do Mar Vermelho. A natureza da água é fluir. Mas o que D´us fez no mar? Ele tomou a natureza fluida da água e a transformou na natureza de rocha sólida. Ele teve de mudar completamente a substância de sua norma elementar. O mesmo se aplica aos casamentos. Há duas pessoas diferentes que vieram de lares diferentes com duas educações diversas. Não basta o desafio de um ser do sexo masculino e o outro do feminino. Além disso, ele gosta das janelas abertas; ela prefere as janelas fechadas. Ele gosta do campo; ela da cidade. A mãe dele fazia peixe gefilte dessa maneira. A dela fazia daquela maneira. Portanto temos dois opostos se juntando e tentando se fundir em um. Para que o casamento dê certo, a natureza e a constituição de casa pessoa deve mudar.
Agora podemos entender porque é tão difícil para D´us criar um casamento quando foi abrir o Mar Vermelho, porque para duas pessoas se juntarem, casa qual deve mudar seus hábitos e modos enraizados. Para que um casamento sobreviva, e melhor ainda, floresça, é preciso haver um terceiro elemento, um terceiro parceiro, D´us, que ajuda as duas naturezas a se fundir.
Na abertura do Mar, D´us soprou um vento a noite inteira para manter a água em pé. Porque? Porque se queremos transformar a natureza de algo, devemos infundir continuamente aquele elemento com vida, sopro e força nova. Portanto um casamento - que exige mudança constante pelos dois indivíduos envolvidos - deve ser continuamente infundido com o espírito de D´us. Este é o verdadeiro chet, a verdadeira chayut - vitalidade: homem, mulher e D´us se unindo no eterno pacto do casamento. 

                                                                            Baruch Hashem!! 













Comentários

  1. Um dos textos mais profundos que já li! Obrigado e que Deus o abençõe por compartilhar.

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